sábado, maio 03, 2008

Sonho

era uma sala. tudo muito branco. as pessoas sentavam em duplas. menos eu. uma mulher falava sobre arte. as pessoas prestavam atenção. menos eu. de repente alguém simula um suicídio pela janela. todos riem. o homem da simulação é expulso. a mulher que fala sobre arte não acha graça alguma. um homem entra no meio da explanação sobre o ofício criativo dos artistas. ele senta do meu lado. agora eu também estou em dupla. ele veste terno sem gravata. ele me conhece de alguma forma. eu não o conheço mas sei a idade dele. o homem de terno frequenta todas as palestras comigo. sempre de terno sem gravata. terno velho. tons escuros. cinza chumbo com azul marinho. preto com verde musgo. ele anda amarrotado e não parece se importar. a mulher que fala sobre arte sugere um encontro numa feira de artesanatos. sigo numa calçada entre as barracas e desconheço a rua onde estou. tenho o punho da mão direita travado. não consigo mover a minha mão - que está rígida apontando para o chão. avisto a mulher e me aproximo, ela especula sobre a criatividade humana, sobre os paninhos bordados, as cerâmicas, os quadros de frutas e paisagens. eu penso que tudo aquilo é uma bobagem. eu não falo. e não sou muda. o homem dos ternos escuros sem gravata estava sentado na longa mesa onde a mulher falava bobagens sobre a arte. todos estavam com suas duplas. faltava eu com o homem do terno. ele havia guardado um lugar para mim do lado dele. sentei. ele pegou minha mão e destravou meu pulso. me sorriu. sussurrou alguma coisa no meu ouvido. eu sorri de volta. enlaçamos os braços. eu deitei a cabeça no ombo dele e ele me beijou o rosto perto do meu olho esquerdo. acordei.

domingo, julho 30, 2006

(8)

Árvores gigantescas. Floresta densa. Centenas de quilômetros. Vários dias caminhando, cada vez mais para dentro da floresta. Verde e amiga. Acolhimento naquele lugar especial e secreto. As pessoas não se aventuram para tão dentro da floresta, mas eu me sinto bem cada vez mais longe do exterior da natureza.

No centro escondido da floresta, um pequeno vilarejo. Algumas quadras apenas. Umas 10 casinhas, no máximo. Pessoas moravam ali. Que incrível. Eu chego e estou descalça. Casas de madeira. Terra vermelha como a de Brasília.

De repente, uivos. Pânico geral. Todos correm para as suas respectivas casas e me chamam, dizendo para não ficar do lado de fora. Cuidado: perigo! Eles tentam me puxar e eu digo que não. Não há perigo algum. Todos se trancam e eu fico do lado de fora. Todos ficam me olhando de suas janelas, apreensivos e tensos.

E então eles chegam. Lindos. Vindos lá de longe. Selvagens e amigos. Quanta alegria!!!! Um bando de lobos. Todos cinzas e peludos. Meus amigos! Que reencontro feliz!!! O macho alfa corre em minha direção e pula me jogando no chão. Me lambe e brincamos. Eu dou gargalhadas. Brincadeiras e mais brincadeiras. Rolamos no chão. O bando se junta. Quanta alegria, meu Deus!!! É um reconhecimento mútuo - velhos amigos se revendo. Uivos, latidos, pulos, lambidas, mordidas, euforia. Quanta alegria...

Passo meus dedos no pelo denso e forte do macho e do resto do bando. Terra vermelha nas unhas e nas costas. As copas densas e protetoras da floresta gigante.

Estou em casa.

(7)

A dança e o luto.

Gestos de ballet encarnam a tristeza do luto e da solidão.

Solidão no palco perante a multidão.

Minha apresentação de ballet em Brasília. Meu pai. A gaiola de passarinho e a sainha de dança. O coque puxado no cabelo.

(6)

Aliens atacando o mundo.

Olhar para o céu e ver as estrelas se movendo. Naves chegando. Eles estão chegando. Rápido: é preciso fugir.

No corre-corre eu me separo dos meus amigos. Acabo entrando no último táxi para o lugar seguro.

Eles chegam para nos comer. Nos matar. O fim do mundo e dos seres humanos. PAVOR.

É preciso correr e eu estou sozinha e não sei se jamais reencontrarei meus amigos novamente.

Separação e fim de mundo.

(5)

Clint Eastwood. Veraneio em Portugal. Praia. Lugar especial que poucos conhecem. Praia com montanha. Água viva.

Eu contava como no início da minha adolescência eu me masturba vamexendo a bacia.

Escadas.

(4)

Sonhei com colchões. Minha mãe mandava fazer colchões que eram macios demais e não eram bons.

(3)

Sábado ensolarado de praia cheia.

De repente, no horizonte, uma nuvem preta se aproxima. O tempo fecha. O mar escurece e as ondas crescem, puxando cada vez mais, cavando a areia.

As pessoas saem da água. Eu não consigo subir a parede de areia.

A água me puxa. As ondas vêm.

(2)

Furacão. Barcos. Pessoas. Um furação se aproximava e eu avisava as pessoas. Ninguém acreditava e achavam que era besteira/exagero meu. Água.

O furação chega e estou dançando. Descobri uma maneira de dançar muito legal e que me deixa feliz. Descoberta. Quero mostrar para todos. Enquanto o furacão chega eu danço. E o Fred aparece. Dançamos juntos. Ele acha divertida essa minha dança. O furacão vem e eu estou me divertindo e feliz querendo mostrar para todos.

O furacão passa e as águas se acalmam. A dança me salvou e foi o que me fez sobreviver sem nenhum dano ou perigo.

As pessoas e seus barcos.

Eu estou feliz.

(1)

Velório de alguém muito importante e poderoso. Várias pessoas. Durante a cerimônia eu resolvo escrever uma carta para o morto, como uma maneira pessoal de luto, de velar e homenagear aquela pessoa.

Minha mãe, ao meu lado, fica dizendo "para com isso!! Olha pra frente! Faz isso... não faz assim!!!... etc". Eu fico puta. Não ligo para a situação: pego bem forte no braço dela e digo bem baixinho olhando fundo nos olhos dela "para de me tratar como se eu tivesse 7 anos de idade!". Ela fica irada. Começa a falar alto, a gritar, entre outras coisas, dizendo que é minha mãe, que eu a devo mais respeito, que ela não merece aquilo (ser tratada assim por mim)... Causa uma cena no velório.

As pessoas se afastam. Eu fico feliz e tranquila ao perceber que todos viram como ela estava surtada e totalmente 'sem noção'.

segunda-feira, junho 12, 2006

"O amor é quando alguém mede a tua cabeça enquanto você dorme e aí compra o chapéu que você quer tanto"

terça-feira, abril 11, 2006

Despeço-me de minha mãe e minha irmã e seguimos em direções opostas da calçada. Elas começam a correr atrás de um ônibus que segue para o ponto.
Ouço o freio e me viro: um carro acerta minha irmã na pista e a arrasta até o meio-fio.
Corro. Ela está no chão, tentando se levantar. Grito seu nome e começo a erguê-la, deseperado.
Ela olha pra mim e não me vê.
Chama por minha mãe, que não vem (olho em volta e não a vejo).
"Mãe...", sussurra minha irmã, enquanto me olha e sorri, um sorriso de paz e dor. "Estou indo pro pub, mãe..."
Ela repousa a cabeça no meu peito e fecha os olhos. Eu começo a urrar.
entro na sala, lá dentro há mais dois ou três alunos. é a aula de interpretação teatral. escolho uma mesa ao fundo, voltada para a parede. sento, abro meu caderno e começo a anotar o sonho que tive na noite anterior: "três homens velhos estão num bar de velhos, conversando. eles estão lembrando de umas filipetas que distribuíam quando eles eram adolescentes, filipetas que falavam das vantagens do beijo: beijo é bom pra saúde, beijos com propriedades medicinais, beijo é bom para toda a família (numa das filipetas, verde, há a foto de um casal se pegando dentro de um carro). nisso chega um quarto homem, amigo dos outros que conversavam, e faz uma cara triste, confessando que nunca soube beijar direito. ele diz isso e sai da mesa, cabisbaixo. vai em direção à mesa de bilhar e começa a jogar sozinho. os outros três cochicham rapidamente e vão atrás dele. 'olha só', diz um deles, 'ainda dá tempo de você consertar isso!'. e saem os quatro, atrás de mulheres".
nisso o professor de teatro chega até a minha mesa e diz baixinho, numa espécie de bronca simpática: "já que cê tá aqui, não é melhor virar pra frente e acompanhar a aula?" eu viro minha mesa em direção ao quadro negro, passo os olhos na turma e tenho o estalo: "merda! esqueci que larguei essa aula há um mês. larguei pela aula de canto!."

segunda-feira, abril 10, 2006

Across the room (again)

O rato sai de trás do armário, atravessa correndo o quarto e se enfia embaixo do baú entalhado.

"Como é que ele chegou até aqui, no quarto andar?"

terça-feira, dezembro 27, 2005

Sinead O'Connor e os leões

Estou no campo e encontro com ela. Totalmente careca, meio baixinha e aqueles grandes olhos azuis melancólicos, ela me vê e canta: "I can eat my dinner in a fancy restaurant, but nothing, I said nothing can take away these blues `cause nothing compares..." etc. Seguimos andando pelo campo e acabamos subindo por uma encosta íngreme, como se fosse uma imensa embalagem de ovos, de pé, na vertical, feita de cimento, com aquelas corcovas. Surgem então leões e leoas, agressivos, urrando, por entre aquelas cavidades, descendo alguns, subindo outros. Eles nos cercam enquanto rugem. Corro em direção ao solo e caio em um labirinto feito de madeirite - aqueles tapumes de obra de cor magenta. Os leões descem e surgem pelos corredores do labirinto. Quando eu os encaro, eles param, como estátuas, mas se tento fugir, eles avançam...

quinta-feira, dezembro 08, 2005

Ondas

Estou com uma amiga no pilotis do último prédio da Delfim Moreira, em frente a Praia do Leblon. Olhando à esquerda em direção ao Arpoador avisto ao largo grandes ondulações vindo do mar. Elas se transformam em gigantescas ondas de 30 metros ou mais. São monstruosas. O céu está cinzento e o mar também. As ondas se chocam com os prédios da orla de Ipanema, destruindo-os um a um. O fluxo da água vem em direção ao Leblon, numa correnteza que arrasta gente, carros e tudo o mais pelo caminho. A torrente de água em si é apavorante e se aproxima. Corremos até às escadas do prédio e subimos para o terraço, buscando abrigo. Lá de cima vemos que a água escoou e faz sol. Mas as ruas estão desertas. Minha amiga quer ver de perto o que ocorreu e eu a sigo. Andamos pela Delfim Moreira em direção a Ipanema. Aparentemente tudo voltou ao normal e as pessoas voltam aos seus afazeres. Então avistamos uma outra onda, a maior de todas, que vai se formando há alguma distancia da costa. Ela tem tamanho suficiente para engolir o bairro inteiro. Corremos desesperados para fora do seu alcance, mas parece que a fuga será em vão...