terça-feira, abril 05, 2005
Nos dois lugares
Fumo um, já estou atrasada e tenho que pegar um ônibus, desses novos com catraca eletrônica, para encontrar a ruiva de São Paulo no RioSul. O ônibus, como de costume, segue pela Bernadino de Campos alucinadamente. O motorista fuma um cigarro e conversa alto com o cobrador. Na curva próximo à Álvaro Ramos, percebo o quanto estou chapada e lembro-me de onde estou. É no Rio, sem dúvida. Mas tudo está tão confuso... Quase bato a cabeça na janela que não abre embaixo quando o ônibus laranja faz o retorno. Para onde?, me pergunto. Lembro que vou encontrar aquele amor da vida e não a ruiva de São Paulo. Ah, de ruiva tem também a moça de Niterói, que adora comprar na Augusta. Ai, os alucinógenos trazem isso mesmo: Uma confusão desesperadora e sem fim, que você nunca sabe como sair, mas mantém a calma até a onda passar. Antes mesmo de chegar no shopping, a colega de Padre Miguel me mostra onde fica a pequena editora da Presidente Vargas: na João Moura, numa casa bem de esquina. Confuso. Fico feliz em saber onde é, e olho feliz mais uma vez para o céu sempre cinza, sempre da mesma cor, mudando só os tons com o passar das horas do dia.Vejo ele lindo e majestoso, indo ao meu encontro, sem saber que está sendo observado. Segue pelo Aterro até chegar no BH, da Augusta. Acelero o passo para acabar com a brincadeira de ver sem ser vista e ele vira mostrando o lindo bigode. Sorrio e ouço um alarme de celular real qualquer.