domingo, julho 30, 2006

(8)

Árvores gigantescas. Floresta densa. Centenas de quilômetros. Vários dias caminhando, cada vez mais para dentro da floresta. Verde e amiga. Acolhimento naquele lugar especial e secreto. As pessoas não se aventuram para tão dentro da floresta, mas eu me sinto bem cada vez mais longe do exterior da natureza.

No centro escondido da floresta, um pequeno vilarejo. Algumas quadras apenas. Umas 10 casinhas, no máximo. Pessoas moravam ali. Que incrível. Eu chego e estou descalça. Casas de madeira. Terra vermelha como a de Brasília.

De repente, uivos. Pânico geral. Todos correm para as suas respectivas casas e me chamam, dizendo para não ficar do lado de fora. Cuidado: perigo! Eles tentam me puxar e eu digo que não. Não há perigo algum. Todos se trancam e eu fico do lado de fora. Todos ficam me olhando de suas janelas, apreensivos e tensos.

E então eles chegam. Lindos. Vindos lá de longe. Selvagens e amigos. Quanta alegria!!!! Um bando de lobos. Todos cinzas e peludos. Meus amigos! Que reencontro feliz!!! O macho alfa corre em minha direção e pula me jogando no chão. Me lambe e brincamos. Eu dou gargalhadas. Brincadeiras e mais brincadeiras. Rolamos no chão. O bando se junta. Quanta alegria, meu Deus!!! É um reconhecimento mútuo - velhos amigos se revendo. Uivos, latidos, pulos, lambidas, mordidas, euforia. Quanta alegria...

Passo meus dedos no pelo denso e forte do macho e do resto do bando. Terra vermelha nas unhas e nas costas. As copas densas e protetoras da floresta gigante.

Estou em casa.

(7)

A dança e o luto.

Gestos de ballet encarnam a tristeza do luto e da solidão.

Solidão no palco perante a multidão.

Minha apresentação de ballet em Brasília. Meu pai. A gaiola de passarinho e a sainha de dança. O coque puxado no cabelo.

(6)

Aliens atacando o mundo.

Olhar para o céu e ver as estrelas se movendo. Naves chegando. Eles estão chegando. Rápido: é preciso fugir.

No corre-corre eu me separo dos meus amigos. Acabo entrando no último táxi para o lugar seguro.

Eles chegam para nos comer. Nos matar. O fim do mundo e dos seres humanos. PAVOR.

É preciso correr e eu estou sozinha e não sei se jamais reencontrarei meus amigos novamente.

Separação e fim de mundo.

(5)

Clint Eastwood. Veraneio em Portugal. Praia. Lugar especial que poucos conhecem. Praia com montanha. Água viva.

Eu contava como no início da minha adolescência eu me masturba vamexendo a bacia.

Escadas.

(4)

Sonhei com colchões. Minha mãe mandava fazer colchões que eram macios demais e não eram bons.

(3)

Sábado ensolarado de praia cheia.

De repente, no horizonte, uma nuvem preta se aproxima. O tempo fecha. O mar escurece e as ondas crescem, puxando cada vez mais, cavando a areia.

As pessoas saem da água. Eu não consigo subir a parede de areia.

A água me puxa. As ondas vêm.

(2)

Furacão. Barcos. Pessoas. Um furação se aproximava e eu avisava as pessoas. Ninguém acreditava e achavam que era besteira/exagero meu. Água.

O furação chega e estou dançando. Descobri uma maneira de dançar muito legal e que me deixa feliz. Descoberta. Quero mostrar para todos. Enquanto o furacão chega eu danço. E o Fred aparece. Dançamos juntos. Ele acha divertida essa minha dança. O furacão vem e eu estou me divertindo e feliz querendo mostrar para todos.

O furacão passa e as águas se acalmam. A dança me salvou e foi o que me fez sobreviver sem nenhum dano ou perigo.

As pessoas e seus barcos.

Eu estou feliz.

(1)

Velório de alguém muito importante e poderoso. Várias pessoas. Durante a cerimônia eu resolvo escrever uma carta para o morto, como uma maneira pessoal de luto, de velar e homenagear aquela pessoa.

Minha mãe, ao meu lado, fica dizendo "para com isso!! Olha pra frente! Faz isso... não faz assim!!!... etc". Eu fico puta. Não ligo para a situação: pego bem forte no braço dela e digo bem baixinho olhando fundo nos olhos dela "para de me tratar como se eu tivesse 7 anos de idade!". Ela fica irada. Começa a falar alto, a gritar, entre outras coisas, dizendo que é minha mãe, que eu a devo mais respeito, que ela não merece aquilo (ser tratada assim por mim)... Causa uma cena no velório.

As pessoas se afastam. Eu fico feliz e tranquila ao perceber que todos viram como ela estava surtada e totalmente 'sem noção'.